sábado, 26 de setembro de 2009

A Feia

Esses dias recebi aqui no blog um comentário que citava uma novela da Record chamada Bela, a Feia. Eu apaguei o comentário, porque se tratava de algo ofensivo.
Pois bem, ontem eu estava em uma loja e na TV estava passando a tal novela. A fórmula é a mesma de tantas novelas latinas e da série Ugly Betty: pegam uma atriz lindona, fazem ela ficar feia, e no final da novela ela fica linda.
Na novela, a menina tem uma sobrancelha grossa, aparelho nos dentes, óculos grandes e franja. Isso faz alguém ficar feio? Eu não acho - os acessórios podem ser feios, o corte de cabelo e a falta de cuidado com a sobrancelha também, mas a pessoa se faz feia de outras formas. Por trás daquilo, dá pra ver que a menina é bonitinha.
O público-alvo da novela é formado por pessoas superficiais, então a menina que usa óculos fica mesmo mais feia do que aquela artificial que fica horas todos os dias usando chapinha, cremes, maquiagem, etc, etc. Mas, como na novela, mais cedo ou mais tarde a verdade se revela.
Pra mim, as pessoas têm o dom de se fazerem feias.
E o que faz uma menina ficar feia é ser sem educação. É falar alto demais, querer chamar atenção, ser barraqueira. Também é feia aquela menina que se acha muito bonita sem ser. E aquela que levanta o lábio superior com um tom de desprezo quando fala com os outros, ou que fecha a cara.
Também acaba ficando feia a menina que mente, que se acha muito poderosa, ou que tenta manipular situações a seu favor. A que faz fofoca, fala pelas costas, e a que é falsa. E aquela que fala grosso, gesticula demais e pisa duro. Fica masculinizada.
Assim uma menina fica feia. Ela pode até ser aparentemente bonita, mas com um punhadinho de convivência, ela fica horrível!
Pra ficar bonita, a menina tem que ser simpática, ter um bom papo, ser espontânea e até meio atrapalhada e estabanada. Tem que ter o riso fácil, e saber compartilhar os bons e maus momentos. Falar baixo, olhando nos olhos, ouvir, entender, se fazer entender...
Qualquer pessoa que tenha um ou dois amigos sabe que a proximidade e a empatia fazem a gente esquecer da aparência e da primeira impressão. Dá pra saber se uma menina é bonita conversando pelo telefone! E assim, a menina da novela, por ser engraçadinha e despertar certa ternura, se faz bonita.
Porque ser bonita é ser uma pessoa sorridente, simples e fácil de conviver. Ter um rosto bonito e um corpão ajuda, mas está longe de ser tudo.

domingo, 19 de julho de 2009

Idiotas Voluntários

Visualize:
O ônibus está parado no terminal. É um coletivo mesmo, que liga um bairro a outro na periferia de São Paulo. As pessoas estão voltando pra casa, cansadas depois de mais um dia de trabalho. Aí entra a figura.
O rapaz tem sempre entre 15 e 25 anos, mas a mentalidade não é tão madura. Seu problema maior é não ter noção de espaço e respeito: ele está com um celular na mão, tocando uma música de péssimo gosto, em um volume bem alto. Eu não tenho certeza, mas acredito que ele não tem ideia do quanto incomoda as outras pessoas.
Além disso, ele não tem noção do quanto faz papel de idiota. Normalmente eles ficam com cara de nada, olhando ao longe, e não encaram as pessoas. Mas... Será mesmo que ele não sabe o quanto isso é idiota?
Eu não entendo nada de psicologia, essas coisas, mas tenho uma teoria sobre isso.
Acho que essas figurinhas da hora do rush sentem algum prazer em invadir o espaço e os sentidos do próximo. E são quatro, dos cinco sentidos:
  • Tato: eles não veem problema algum em esbarrar, encostar ou empurrar as outras pessoas. Contudo, a maior parte deles não gosta de ser empurrada ou esbarrada.
  • Audição: eles adoram falar muito alto, gritar sem razão, assobiar, e ouvir música alta! Quanto mais alto, melhor.
  • Visão: eles se vestem de forma colorida e ridícula, ou então usam as calças abaixo do nível da bunda, mostrando a cueca. As mulheres usam calças transparentes e blusas sumárias.
  • Olfato: alguns deles fedem! E muito - e as vezes logo de manhã. Como alguém consegue estar no caminho do trabalho as 8h da manhã com uma catinga desgraçada?
Ou seja, eles sentem a necessidade de invadir o espaço alheio - incomodar mesmo.
Eu queria que alguém com algum poder de influência encabeçasse uma campanha de conscientização do quanto algumas pessoas se mostram incapazes de viver em sociedade.
Principalmente quando não usam fone de ouvido e nos obrigam a ouvir suas músicas - sejam elas quais forem.

sábado, 20 de junho de 2009

Da Discussão Nasce a Luz!

Hoje acompanhei uma discussão muito interessante entre um rapaz e dois fiscais da Metra no terminal São Mateus (Zona Leste de São Paulo). Veja a transcrição, a partir do momento em que entrei no ônibus e pude ouvir:

Rapaz: - Mano, se essa vagabunda não sabe trabalhar com as pessoas, tinha que ficar em casa!
Fiscal: - Eu não sei exatamente o que aconteceu, mas se o senhor quiser qualquer informação, pode perguntar pra mim!
Rapaz: - Aí, mano, essa vagabunda devia estar em casa. Depois morre, vai falar que é trabalhadora! Você também tem responsabilidade nisso aí, mano!
Fiscal: O senhor não precisa ameaçar ninguém...
Rapaz: Aí mano, porque eu moro aqui nas quebrada, mano! Eu volto aqui e estouro a cara de todos vocês. Eu acho vocês. Como é seu nome?
Fiscal: Jesus.
Rapaz: Aí, mano! Fica esperto, hein, mano!
Fiscal: Então, não tem mais por que ficarmos discutindo.
Rapaz: Aí, mano! Você não tem educação pra falar comigo, mano! Eu volto aqui e vocês todos vão morrer! Como é seu nome?
Fiscal: Jesus. E o seu?
Rapaz: Washington! Quer ver meus documentos? (Já mostrando o RG)
Fiscal: Ok, Washington. Então está tudo bem?
Rapaz: Tudo bem o caralho, mano! Eu sou ladrão, véio! Eu sou ladrão!
Fiscal: Eu sou fiscal da Metra. Independente das nossas profissões, acho que não temos mais que discutir!
Rapaz: Aí, mano, vocês tão fudidos! Eu volto aqui com os caras, eu conheço os manos da quebrada!
Fiscal: Tudo bem. Então como temos um problema que não temos como resolver, a gente chama a polícia e registra sua queixa e as ameaças também!
Rapaz: Aí, mano! Vocês estão me discriminando só porque eu sou de cor!
Fiscal: Eu tenho a mesma cor que você.
Rapaz: Só porque eu sou de cor, mano. Tão me discriminando só porque eu sou de cor. Vocês vão ver.

Nisso o "ladrão" entrou no mesmo ônibus que eu e foi embora.
País triste esse em que vivemos. Aqui, não ter estudo, morar em favela, conhecer ou ser bandido é uma forma de orgulho ou de status que é usada para intimidar os cidadãos de bem. E quando aqueles são negros, tentam usar este fato como um escudo.
Já passou da hora de todos nós sermos iguais: negros, brancos, japoneses, índios, homens, mulheres...
Já passou da hora de os presos trabalharem para se sustentar, e esse tipo de "ladrão das quebradas" apodrecer na cadeia!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Twitter

Estou viciado nesse negócio.
Agora apareço com muito mais frequência no Twitter do que por aqui (pudera, eu raramente apareço por aqui).
Então, me encontre por lá: http://twitter.com/juliocsola

sexta-feira, 13 de março de 2009

Aquele final de semana...

Naquele final de semana eu aprendi muitas coisas.
Foi um final de semana de quatro dias. Não que fosse prolongado, ou que houvesse um feriado: eu iria realizar meu sonho - ver um show do Elton John. Neste caso, não só um, mas dois. Um em São Paulo no sábado, dia 17/01 e outro no Rio de Janeiro, dia 19.
Naquele final de semana eu aprendi que um sonho deve ser mais do que um evento de pouco mais de duas horas. Na verdade eu já pensava nisso durante os quase 12 anos que passei esperando este momento, mas estar lá me fez ter certeza.
Pra mim, não parecia a primeira vez. Era tudo muito simples para ser algo que esperei durante metade da minha vida. Hoje eu tenho noção de que não foi nada simples.
Naquele final de semana eu aprendi que o amor e a preocupação com um irmão supera qualquer coisa. Meu irmão passou mal e desmaiou do meio pro fim do show em São Paulo, o que nos obrigou a pular a grade de proteção em frente ao palco para corrermos ao ambulatório. Eu estava abrindo mão do meu lugar bem em frente ao palco, e não me importei com isso. Pulei a grade e passei a uma distência mínima do Elton, e não olhei! E olha: não me arrependo!
Naquele final de semana eu aprendi que o que mais importa é ter pessoas queridas por perto.
Fui ao Rio de Janeiro sozinho, sem conhecer a cidade, só orientado pelo Google Earth e dicas a distância da cunhada. Descobri que os taxistas de lá são grossos, e ao contrário do que se divulga pelo mundo, os turistas são, à primeira vista, extremamente hostilizados na cidade maravilhosa. O lado que eu conheci não era maravilhoso, mas não sou hipócrita de tirar conclusões sobre a cidade por um trajeto de táxi pelo Centro, nem de seu povo por um ou dois taxistas mau-humorados.
Conheci muita gente bem legal, pessoas na fila do show, contei e ouvi histórias, mas me senti em outro planeta e sozinho. Cheguei à conclusão de que não posso fazer besteira quando voltar pra lá, como perguntar a um motorista de táxi à paisana se, para ir até a rodoviária, é melhor eu pegar um táxi na pista central ou lateral da Presidente Vargas. Corro o risco de ouvir novamente um "claro que é lá, né, mermão? Aqui você vai parar lá em São Cristóvão!".
Mas é óbvio! Se você que me respondeu isso estiver lendo, aceite minhas desculpas pela pergunta imbecil.
Foi lá que eu aprendi também como as vezes um abraço faz falta. Foi assim com a minha mãe, que teve uma resposta negativa de uma oportunidade, e eu fiquei sabendo enquanto estava lá. E foi assim com a minha pequena também, que teve um dia difícil no trabalho, e no final do dia me ligou, durante o show de abertura, e chorou no telefone. Chorei também. E o James Blunt não ajudou nada tocando Carry You Home bem na hora.
Neste final de semana eu aprendi que não sou nada sem o apoio dos que me cercam. Minha pequena me deu capa de chuva, protetor solar, um treco chamado porta-dólar que eu nem sabia que existia e me foi super útil, me emprestou duas mochilas e me deu um monte de carinho e incentivos.
Hoje eu lembro de tudo com muito carinho, como algo que me fez crescer em todos os sentidos, e que me faz hoje ter sonhos maiores. Além de repetir tudo isso!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Essas Pessoas

Essa pessoas são estranhas. Eu queria saber por que elas são assim.
Elas são maioria, e estão em todos os lugares. Bom, não todos, mas em quase todos, pelo menos nos lugares onde eu passo sempre tem. Eles nos acuam, e na rua dão medo. Eles adoram uma fila, e se tem uma fila, eles entram, mesmo sem saber onde vão chegar. Agora, se der um jeito de cortar a fila ou fazer um tumulto pra levar vantagem em relação aos outros, eles serão sempre os primeiros.
No ônibus, eles entram e se aglomeram na catraca ou na porta de saída. Eles bloqueiam a porta, e se fingem de surdos quando pedem licença. Afinal, eles mesmos têm seu jeito peculiar de passar quando alguém bloqueia o caminho: empurrando, ou, no mínimo, esbarrando.
Se o ônibus está cheio, é o paraíso. Eles empurram, tumultuam, apertam, e as vezes até fedem. Se está meio vazio e só tem eu de pé e um deles entra, ele vai parar bem do meu lado, de preferência encostado, pra ficar trombando a cada pequeno solavanco que o ônibus der. Agora, se estiver vazio, um deles vai parar em pé na porta, porque eles têm que atrapalhar alguém, nem que seja só na hora de descer.
O caos nos transportes coletivos é culpa deles também. Nos horários de pico, os trens e metrôs são insuficientes aqui em São Paulo, sim, mas se o povo fosse mais educado, tudo fluiria melhor. Eles seguram as portas, gritam, empurram, empurram muito as pessoas, os homens se aproveitam das mocinhas e as mulheres enfiam a bolsa (normalmente pontuda) nas costas da gente. E o mais impressionante: mesmo no meio de um caos total, apertados, empurrando e sendo empurrados, parece que eles gostam, porque dão risada de tudo, e as vezes até ligam uma música alta no celular.
Aliás, eles sempre ouvem músicas péssimas, e desde que começaram a lançar esses celulares que tocam música, parece que esqueceram que existem os fones de ouvido. Eles não estão nem aí para o fato de que incomodam as pessoas ouvindo funk e pagode no último volume em lugares públicos.
Em escadas rolantes, eles formam verdadeiras barreiras humanas. Nas catracas também. Parece que há uma certa dificuldade de passar na primeira tentativa. Em cima das catracas, havia uma faixa bem grande na qual se lia "mantenha seu bilhete parado sobre o validador até a liberação da catraca". O "parado" era vermelho mesmo. Mas mesmo assim, eles continuavam aproximando o cartão como se o validador estivesse pegando fogo: uma rápida aproximação, como quem põe o dedo no ferro de passar para ver se já está quente. Isso forma um congestionamento de pessoas, e filas enormes para entrar nas estações. Mas eles gostam de fila, e sempre que conseguem, cortam e formam tumulto - algo que eles também adoram. Na escada rolante, eles formam aquele tumulto de praxe, e como não poderia faltar, sempre a pessoa de trás se apóia na da frente, com uma mãozinha chata que fica cutucando as costas da gente.
Quando eles andam na rua, vêm na nossa direção, e se nós não desviamos, trombamos de frente! E se trombamos, eles xingam. Eles jamais desviam. Eles só não trombam com os seres humanos normais tantas vezes porque normalmente andam no meio da rua, e invocam com os carros que passam muito perto. Andar na calçada pra evitar o risco? Jamais.
Quando eles vão atravessar a rua, primeiro dão dois passos no meio da rua, e depois olham se vem carro. Se vem, normalmente eles param, mas se passa muito perto, eles xingam o motorista. Acho que, na cabeça deles, o motorista deveria parar para eles atravessarem, mesmo que seja fora da faixa, mesmo que numa via de alta velocidade! Eu mesmo já quase passei por cima de muita gente, por causa dessa mania idiota de esperar pra atravessar no meio da rua.
Alguns deles fazem coisas bem peculiares, como ficar parado na calçada esperando o semáforo de pedestres fechar, para aí então atravessar correndo no meio dos carros que estão arrancando. E também tem aqueles que andam na rua, olham pra atravessar, vem um carro, e ele mesmo assim continua parado, obrigando o carro a parar também. Aí fica o motorista olhando pro pedestre, ambos parados.
Quando eles conseguem emprego, querem dar jeitinho em tudo, trabalhar pouco e reclamar muito. Chegam no primeiro dia de trabalho já sem postura, causando, achando que estão em casa, sem respeitar o ambiente e as pessoas. Quando já têm algum tempo de empresa, falam mal de tudo e de todos, e começam a aprontar mais, para tentar cavar uma demissão sem justa causa. Quando caem na real, dizem que foi a empresa que não deu oportunidade.
E eles acham que tudo deve ser dado e ganho, e não conquistado por merecimento. O governo tem de dar dinheiro, as empresas têm de dar brindes, e os serviços devem ser bem prestados, senão eles quebram tudo e reclamam que está quebrado depois.
Eles não passam despercebidos. Eles estão em todos os lugares, e estão andando em bandos, fazendo sons altos e estranhos, gritando sem motivo, e fazendo de tudo pra chamar atenção de todos.

domingo, 13 de abril de 2008

Nossa História

Um dia eu entrei na sua sala, e você foi tão linda comigo, que eu falei que queria entrar na sua sala com um par de alianças douradas, uma pra mim e outra pra você...

Você sempre foi linda comigo.

Dia 12 de novembro de 2007 eu conheci a menina com carinha de metida, que expressava no rosto o que eu sentia quando ouvia o que aquele consultor falava. Depois eu entendi que eu não entendo nada de expressões faciais, porque ela não era metida, e nem expressava o que eu pensava.

Passamos de um hotel chique na Frei Caneca para um call center estranho na Lapa. Mas as coisas só melhoraram, porque a menina me chamou de coração (talvez até por não lembrar o meu nome de imediato), e eu adorei, e nem notei que ela fez questão de mostrar que chamava todo mundo assim.

De lá, passamos para o Centro, e a garota se distanciou um pouco, e eu detestei isso. Ainda mais quando o tal consultor passou algumas informações que supostamente ficaram retidas em um CD por "vários dias" nas mãos daquela menina que voltava a ter a carinha de metida, e me dava saudade.

Do Centro, subimos a Bela Cintra, passamos pra Consolação, e tivemos nossa primeira (e até hoje única) DR - discussão da relação. E eu passei a conhecer a mulher que compunha aquela menina que eu havia conhecido antes. Vários pensamentos em comum e acertos de contas depois, ela ganhou um admirador e eu ganhei uma amigona!

Aconteceu uma aproximação rápida e intensa, e assim passo da terceira para a segunda pessoa.

Assim, passei a freqüentar sua sala quando nossos treinamentos acabavam. E todos os dias eu não via a hora dos treinamentos acabarem. Conversávamos sobre tudo e todos, e a intimidade entre nós nos mostrou que já nos conhecíamos de outras vidas. Já era comum falarmos de coisas fúteis ou extremamente íntimas com a mesma naturalidade, e isso não nos assustava, afinal, nossas almas estavam juntas desde séculos. E como já diria o Rei, quando duas pessoas se amam de verdade, são as almas que se amam.

E todos os dias tínhamos os nossos momentos, até que os treinamentos acabaram. Na última semana, sentimos um a falta do outro, e isso era estranho e novo.

Voltamos para o call center estranho, e eu tive medo. Tive medo de você não estar sentindo a minha falta como eu sentia a sua. Eu olhava pra você de longe, e me dava uma dorzinha de pensar que talvez eu tivesse perdido a oportunidade que eu tive, enquanto a tinha. E aí eu mesmo pensava comigo: "oportunidade de quê?".

Eu te amava, e demorei pra admitir.

Ainda sem admitir, te chamei pra sair naquele sábado sem graça. E de lá, eu admiti quando te vi indo embora. Daí, foi tudo fluindo naturalmente, como deve ser entre almas que se conhecem há tantas vidas. Conversamos por telefone, dormimos e sonhamos um com o outro, dos demos as mãos, nos beijamos na escada rolante, e não paramos mais.

Disfarçamos na frente dos colegas, admitimos nossos amores, que então se tornou um só, divulgamos nossa história, vimos caras espantadas, ouvimos comentários bonitinhos, ouvimos comentários idiotas, e rimos juntos, dos dois.

E desde sempre, você vem sendo linda comigo. E hoje temos as nossas alianças douradas, e somos felizes.

E eu só tenho a agradecer. Por ser tão feliz hoje, e por ter essa certeza deliciosa de que sempre serei. E por ter mais certeza ainda de que essa felicidade é nossa. E por saber que essa história, até aqui, foi só o comecinho...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

CPTM News

Eu amo São Paulo, e adoro o isolamento que a multidão proporciona. Não vejo ninguém, me isolo com meu MP3, ouvindo notícias, tentando me manter em pé, e o menos espremido possível. Contudo, há alguns transtornos.
Hoje de manhã, por exemplo, fiz o caminho de todas as manhãs: São Bernardo, trólebus, Santo André, trem, Brás, metrô, Anhangabaú. Estava chovendo. Fui com meu guarda-chuva novo e enorme, e me arrependi quando cheguei ao trem. Não conseguia me segurar e segurá-lo ao mesmo tempo. Resolvi dar prioridade ao objeto, já que eu não tinha pra que lado cair mesmo.
Chegando na estação Brás, aquele empurra-empurra de sempre, e fui prensado: havia uma mulher de meia-idade na minha frente, um rapaz de uns dois metros de altura atrás, e estava bem na porta, com ambos me empurrando em sentidos opostos, quando as portas do trem se fecharam, e trataram de me prensar também pelos lados. Numa tentativa desesperada de fuga, pulei pra fora, e meu guarda-chuva novinho, que eu estreava, ficou preso. Consegui puxá-lo, mas o coitado sofreu uma fratura exposta em uma de suas hastes. Prossegui no trem seguinte e cheguei em segurança.
Mais tarde, saí com dois colegas do serviço em direção à Avenida Paulista, e pegamos três metrôs (pra quem conhece: Anhangabaú – Sé, Sé – Paraíso, Paraíso – Consolação). Fomos a trabalho. As estações e trens bem mais vazios nos trouxeram a sensação de alívio, mas logo quando o trem parou, ocorreu o que de praxe acontece nesta terra cheia de gente sem educação: entraram no trem umas oito pessoas, o trem estava vazio, e as oito pararam bem em frente à porta, formando uma espécie de “barreira” à nossa entrada. Resultado: um segurando a porta, outro tentando correr, e eu, com a minha massa corporal mais avantajada, empurrando os animais que se recusavam a admitir que estavam sim ouvindo os pedidos de licença. Quando conseguimos entrar, deslocando o gado, nosso herói segurador de portas ainda ficou com o pé preso pra fora. Uma risadinha substituiu o palavrão.
Voltamos ao nosso local de trabalho de táxi, com dó dos que nos acompanhavam por baixo da terra.
Na hora da volta pra casa, uma colega me acompanhava, na mesma estação Anhangabaú, desta vez totalmente lotada. Achei estranha a ausência de aglomerações na catraca, mas já estavam todos no trem. A estação Anhangabaú recebe alguns trens vazios na hora do rush, que saem do pátio passando direto pelas estações anteriores, mas a maioria já vem lotada. Isso é um problema, já que muita gente fica por muito tempo na plataforma aguardando o trem vazio, e ficam parados exatamente onde as portas dos trens abrem. E pior: não se movem, ficam cegos, surdos e mudos!
Chegou um trem. Não estava vazio, mas dava bem pra entrar. “Vamos? Vamos!” Íamos, se um idiota não nos obstruísse. Com feições orientais, uns 60 ou 70 anos de idade. Ela toda educada atrás: “senhor, me dá licença? Ei, senhor, só uma licencinha, por favor”! Ele não se mexeu. Talvez fosse surdo, mas ela gesticulou, até cutucou. Nada. Ela conseguiu se esgueirar à sua esquerda, com a colaboração da outra “barreira” ao lado do japa. Eu, aproveitando o porte, pedi licença já fazendo o pseudo-japonês ter de se equilibrar em alguém que o segurou. A porta se fechou, e não conseguimos embarcar, graças à barreira humana(?) formada. Paramos a centímetros da beira da plataforma, e entramos no trem seguinte, mais apertado, e ficamos olhando as caras de “ontem” do pessoal na barreira. Ainda fomos com duas meninas conversando, cada uma de um lado meu, e gritando como se eu impusesse uma distância de 50 metros entre as duas. Por que eles falam tão alto?
Na estação Sé, onde a maioria do pessoal desce, descemos para dar espaço às pessoas, ao contrário do que as mesmas pessoas fariam por nós. Foi uma visão linda: pessoas com as mais diversas caras e expressões, passando por nós como janelas do Windows, naquela proteção de tela antiga, na qual as janelinhas vinham de longe e passavam pelo monitor. Depois da correria, a decepção.
Fui ligar meu MP3, e a pilha acabou em menos de um minuto. Não pude ouvir as notícias da Band News, então fui ouvindo as conversas populares, comentando as manchetes do dia. Eis a transcrição, da forma que me chegaram os comentários:
Brasil – Cê viu lá no Rio? Mó chuvão, desbarrancou tudo, um absurdo! Se tem favela no morro, tem que ter arrimo! E se tivesse alguém dentro do túnel? Tinha morrido tudo sem ar! (O túnel Rebouças, no Rio de Janeiro, foi interditado pelo deslizamento de terra em um dos seus lados, sem que, contudo, se vedasse o túnel.)
Previsão do Tempo – Parou de chover, né? Diz que amanhã chove menos, e sábado vai fazer mó solão! É bom, que dá pra fazer o churrasco... (Previsão do Weather Channel para sábado: pancadas de chuva.)
Política – Devia ter metrô até o ABC, né? Mas sabe por que não tem? Porque os prefeito não se une, fica tudo brigando por interesse pessoal, e não cuida do povo. Podia ser em cima da terra mesmo, nem precisa cavar buraco. Isso aqui mesmo, ó: aumenta a velocidade do trem, joga um cimento aí no chão e pronto: vira metrô! Aí já tava tudo resolvido. Mas esses prefeitos não fazem nada! (O metrô é de responsabilidade do Governo do Estado, assim como o trem no qual estávamos).
Esportes – Será que o Corinthians cai? Acho que não viu? Eles não vão deixar. Porque toda vez que algum time grande ta ameaçado, eles tiram de lá. Mas o Palmeiras caiu, né? Ah, mas eles deixaram o Palmeiras cair só pra todo mundo pensar que é direito, mas não é não. Eles não vão deixar o Corinthians cair não. (Eu me pergunto: eles quem?)
Mundo – Você viu aquele aviãozão lá? Se vem pro Brasil, cai e morre um monte de gente! (O Air Bus A380 fez seu primeiro vôo comercial hoje, e tem capacidade para mais de 800 passageiros.)
Desci do trem e cheguei a um lugar mais civilizado. Boa noite. Amanhã tem mais.

domingo, 8 de julho de 2007

Maravilha!

O Cristo agora é uma das novas sete maravilhas do mundo. Maravilha, mas... Vamos a elas.
A primeira anunciada foi a Grande Muralha da China. Espetacular e incontestável. Todo mundo já ouviu falar nessa muralha, e ela faz jus ao título de "maravilha". As outras escolhidas foram o Taj Mahal, que por si só já diz tudo, o Monumento de Petra, na Jordânia, que é lindo, toda uma cidade esculpida em pedra, Machu Picchu, a pirâmide de Chichén Itzá e o Coliseu de Roma.
Eu achei estranho o fato da Estátua da Liberdade não ter sido eleita, e nem a Torre Eiffel, que é tão famosa e grandiosa. Acho que os americanos e os franceses não deram muita importância pra esta eleição, que aparentemente não teve caráter oficial, já que não foi apoiada pela Unesco.
Eu gostei da eleição como um todo, mas achei duas coisas estranhas:
1 - Por que as pirâmides de Gizé estavam na eleição, se já são uma das sete maravilhas do mundo? Eu não entendi isso direito, mas agora li na Folha que elas foram retiradas da votação a pedido de autoridades egípcias. Justo.
2 - Por que raios elegeram o Cristo Redentor, uma estátua de 38 metros de altura, e não elegeram as ruínas do Partenon, em Atenas? Eu acho essas eleições bem democráticas, mas seus resultados não demonstram a vontade da população do mundo. Campanhas angariam votos em alguns "focos" populacionais, e como no Brasil e na China tem bem mais gente que na Grécia, e o povo se mobiliza mais, isso acaba acontecendo. Eu tiraria da lista o Cristo ou Chichén Itza pra "encaixar" o Partenon.
Bom, são só sete, né? O resto também é uma maravilha!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Reestréia

Aqui estou eu de volta, em um endereço novo, agora com um blog de verdade.
Não pretendo mudar em nada o contexto, um ano depois de ter abandonado meu antigo blog, homônimo a este. Vou continuar interpretando a vida e criando este mundo.
Aqui estou eu de volta.
Hoje estou num dia simplesmente ótimo. Simples e ótimo, por assim dizer. Até que enfim se concretiza minha promoção, e o dia foi só meu. Fui ao cinema sozinho, sentei na frente como eu gosto, e fiquei vendo até a última linha dos créditos, como gosto de fazer desde sempre. Maluquice minha. Eu adoro.
Agora de noite resolvi refazer o blog. Sempre tenho algo a escrever e a compartilhar, mas nem sempre posso. Agora estou me obrigando.
Sejam bem vindos.